sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

E agora, ARRUDA?


E agora, ARRUDA?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esquentou,
e agora, ARRUDA?
e agora, você?
você que é sem PARTIDO,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora,ARRUDA?
Está COM mulher,
está sem discurso,
está sem “AMIGOS”,
já não pode FALAR,
já não pode MAIS CHORAR,
cuspir já não pode,
a noite ESQUENTOU,
o dia JÁ veio,
o bonde JÁ veio,
o riso JÁ veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, ARRUDA?
E agora, ARRUDA?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua CASA,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe MAIS porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas/ITAJUBA não há mais.
ARRUDA?, e agora ?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, ARRUDA!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, ARRUDA!
ARRUDA, pra onde ?

Um comentário:

J. disse...

Ótima adaptação!
Abraços.